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PARTIR NUNCA É FÁCIL

abril 21, 2010

Kristin Scott-Thomas e Sergi Lopez

[Se você pretende ver o filme, é hora de parar de ler este artigo.]

Deixar para trás uma vida, uma profissão, um relacionamento, não é fácil para ninguém. Quando isso envolve infidelidade então, a coisa fica feia! Pensando na teia de sentimentos (e ressentimentos) que isto envolve, a diretora francesa Catherine Corsini coescreveu o roteiro de Partir, filme que estreou no final do ano na Europa e que já foi exibido por aqui.

Nele, Kristin Scott -Thomas é Suzanne, que vive o sonho das mulheres burguesas: um sólido casamento, uma linda casa, um marido médico (Yvan Attal), dois lindos filhos. Ela decide voltar a trabalhar, atitude que é apoiada pelo marido, que então decide “ajudar” reformando um dos cômodos da casa. É aí que conhece Ivan (Sergi López), um ajudante geral catalão e a conexão é imediata. Sei que vocês devem pensar que é mais um filme em que a mulher agarra o “pedreiro” nas costas do marido – não é bem assim.

Corsini conta para o espectador logo de cara qual é o final dessa história – tudo é mostrado em flashbacks, que ilustram como as coisas tiveram aquele fim. Conforme a narrativa vai nos levando para dentro dos fatos, acabamos por perceber que o mundo burguês de Suzanne não é tão cor de rosa quanto pensamos.

Ela é uma mulher sufocada pela prepotência do marido, que a considera um móvel da casa e o desdém dos filhos, que a vêem como uma empregada, não como uma mulher produtiva. No meio de sua frustração cotidiana, em que não há diálogo, não há carinho, ela recebe a atenção de Ivan, que acaba despertando nela uma paixão avassaladora. Tentando preencher seu enorme poço de carências não supridas, Suzanne abandona a família para viver com um homem simples, o que gera o ódio e o ciúme em seu marido, que faz de tudo para bloquear o sucesso do casal pelo simples orgulho ferido.

Essa situação se estende e Suzanne chega a um momento limite imposto pelo marido, onde tem que escolher entre sua própria felicidade ou o futuro de Ivan.

O que vocês acham que ela escolhe? Como toda mulher, ela é capaz de amar incondicionalmente e faz este “sacrifício” por Ivan. Ela volta para o marido e sua vida torna-se algo muito pior do que já era, porque agora, ela pôde provar o gosto de sentir-se amada e de ser livre, coisa impossível de acontecer em seu casamento.

O filme é honesto na medida que não busca saídas fáceis e finais felizes – ele está muito mais próximo da realidade do que pensamos. Quantos de nós estamos presos em relacionamentos só porque estamos habituados a ele ou porque não queremos perder o conforto material que já conquistamos? Mas como tudo na vida é cíclico, de repente um tornado pode mudar as coisas de uma hora para outra e nos empurrar a tomar as decisões que insistimos em adiar.
Filmado no sul da França, o filme tem lindas tomadas e sua luz reflete o espírito da protagonista – os momentos com Ivan são sempre solares, enquanto os vividos em sua casa, com o marido, são sempre sombrios. A maravilhosa trilha sonora, lembrando os bons tempos da Nouvelle Vague, dá um tom intimista a película.

Com um elenco coeso e bem conduzido, com excelentes atuações de Kristin Scott-Thomas, Sergi Lopez e principalmente Yvan Attal (que personificou bem o arquétipo do homem que fica perdido quando percebe que perdeu o poder sobre a mulher que considerava sua posse), Partir é um filme que merece ser visto e discutido.

 

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Enfim, blogueira!

fevereiro 12, 2010

Depois de tanto postergar, finalmente resolvi ouvir meus amigos e escrever despretenciosamente nesta página.

Espero aqui, poder compartilhar com vocês minhas idéias e opiniões sobre cultura, entretenimento, esportes, tecnologia, enfim, tudo o que der vontade!

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